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No apoio e activismo LGBTI, há muitos heróis silenciosos e muitas contribuições perdidas no tempo. A história que vos trago hoje é de uma heroína que partiu a porta do armário e berrou até que lhe dessem ouvidos.

A Mafalda faz, este ano, 33 anos e é uma das principais vozes do activismo bissexual no Norte de Portugal, é associada honorária da rede ex aequo e co-fundadora do colectivo da batata, o Blergh. É também uma das vozes contra a violência doméstica dentro da comunidade LGBTI.

Foi no início de 2015 que conheci a Mafalda, era eu um rapazito tímido e reservado, com os meus 19 anos e a sair vagarosamente do armário. Conheci-a no Divan, através de amigos meus. Foram muitas coisas discutidas nessa noite, desde dramas associativos à própria experiência da Mafalda enquanto vítima de violência doméstica. Embora ela já não se lembre desta noite, para mim foi o pilar sobre o qual construímos a nossa amizade.

Passaram-se alguns meses e chegou Julho, época de marchas no Porto. Marchei ao lado da Mafalda com o êxtase de quem está numa marcha pela primeira vez, a aprender palavras de ordem que hoje em dia me parecem vulgares e a libertar toda a minha raiva interna para com o mundo. O megafone acabou nas mãos da Mafalda, como já dita a tradição, e entrámos todos no espírito a gritar por direitos. Acabei a marcha quase em voz ou energia e com um sentimento novo a formar dentro de mim.

Em 2017 voltei a encantar-me com a marcha do Porto como se fosse a primeira vez. Cheguei à marcha atrasado, meio despassarado sem saber para onde me voltar. Vagueei até reparar numa carrada de gente conhecida a segurar um “bandeirão” arco-íris e a fazer um estrondo fantástico com a Mafalda de megafone na mão! Não sabia o que era um Blergh ou qual era o seu objectivo, mas decidi ali ficar. Berrei até quase perder a voz, ri-me com as nossas parvoíces e adorei ouvir o manifesto da batata, tão honesto e realista que foi impossível manter-me indiferente.

Foi a Mafalda uma das minhas maiores inspirações para dedicar este ano ao activismo e ao associativismo. Sinto que já causei mais impacto neste ano do que em todo o resto da minha vida e tenho muito que lhe agradecer. Aproximam-se Bragança, Vila Real, Braga, Lisboa e Porto e eu preparo-me para levar a batata às costas, algumas vezes com ela ao meu lado, outras a berrar por quem não pode estar presente.

Preparo-me para liderar e inspirar futuros voluntários e activistas, como os que me inspiraram a mim.

Filipe Gouveia é coordenador no núcleo do Porto da rede ex aequo e activista no colectivo Blergh. Gosta de iniciativa e não suporta camisas de flanela aos quadrados.

Ilustração de André Murraças.

 

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