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Considero António Botto um dos expoentes máximos da poesia portuguesa.

Mais do que estar aqui a enunciar os porquês da minha admiração por este “poeta maldito”, gostaria de contar como cheguei até ele. Era eu um rapazito que estava longe de saber o que hoje sei da vida, da minha e da vida de António Botto.

Vivia numa cidade do interior e, na altura (anos 50 do século passado), não havia Serviço Nacional de Saúde ou médicos de família. Mas, no caso da minha família, tínhamos mesmo um médico de família, daqueles com consultório – gente amiga e que era, especialmente, um bom médico pediátrico, sempre atento às doenças normais de uma família com muitas crianças. E sempre que fosse necessário, lá se deslocava o Dr. Ferreira de Almeida – era este o seu nome – a nossa casa, inteirar-se do que era necessário fazer para curar rapidamente alguma maleita.

Quis um dia que, numa dessas visitas, esse médico amigo, sabendo que eu gostava de ler, me recomendou que lesse um livro com umas curtas histórias infantis, muito bonitas. E eu mostrei interesse, é óbvio.

Passadas umas semanas, era o meu aniversário e, como habitualmente, convidaram-se uns amigos mais chegados para umas brincadeiras e um lanche em nossa casa.

Sendo um dos filhos do referido médico um dos meus amigos, ele trouxe-me como oferta de aniversário um livro – Os Contos de António Botto. Foi em 1957 e é um livro que conservo religiosamente. Foi assim que conheci Botto. Claro que, anos mais tarde, vim a conhecer melhor o escritor, principalmente pela sua obra poética e, acima de tudo, pelo mais belo livro de poesia portuguesa (necessariamente uma opinião muito subjectiva): Canções.

Mas houve uma segunda abordagem à figura e obra de António Botto – e indirecta. Foi quando comprei, em 1970, o livro Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, com selecção de Natália Correia, onde o autor está representado por dois inéditos, hoje por demais conhecidos, e por mais três poemas (Adolescente, Olympiadas e Ciúme), todos pertencentes ao seu livro Canções. Claro que de imediato adquiri esse livro – bem diferente do estilo dos seus Contos e muito dentro do estilo que eu sentia como meu…

Não posso deixar de referir esta versatilidade de um escritor que foi tão perseguido. Morreu no Brasil, onde vivia com muitas dificuldades.

O máximo dessa versatilidade será mesmo o hino religioso conhecido como Avé de Fátima, que Botto ofereceu ao Cardeal Cerejeira.

João Roque é natural da Covilhã.
António Botto foi um poeta, contista e dramaturgo português. Fez parte da Segunda Geração Modernista de Portugal. Morreu no Rio de Janeiro, atropelado.
Ilustração de André Murraças.

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